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quinta-feira, janeiro 24, 2013

Incrível: a câmera que promete mudar para sempre a fotografia

Por Domitila Becker
“Digam xiiiiis!”, grita o fotógrafo improvisado enquanto tenta enquadrar na mesma telinha da câmera digital um grupo de cinco inquietos amigos e uma gigantesca torre. O fotógrafo nem precisa decidir quem será o ator principal do retrato. O foco automático da máquina dá prioridade para os sorrisos no primeiro plano. E o monumento atrás fica irremediavelmente embaçado para toda a posteridade, certo?
A empresa americana Lytro, fundada em 2007, está desenvolvendo um sensor capaz de captar, com nitidez, todos os objetos num ambiente em um único “xiiiiis!”. A novidade pode revolucionar o mundo da fotografia, já que há quase 200 anos, desde que o francês Nicéphore Niépce produziu a primeira foto conhecida, os equipamentos existentes conseguem registrar apenas uma região específica dentro de uma cena (mesmo as imagens em 3D combinam, na verdade, duas fotos convencionais para criar ilusão de profundidade).Não mais.
Classificada como câmera de campo luminoso, o novo equipamento captura todos os raios de luz em todas as direções de uma mesma imagem. Essa informação luminosa permite, depois de tirada a foto, focalizar qualquer objeto existente no ambiente.
Com um simples clique do mouse, como você pode ver nas fotos abaixo, o foco pode mudar de um objeto para outro. Das flores brancas no primeiro plano, para as montanhas ao fundo. Com dois cliques, ainda é possível dar um zoom na imagem, sem que se perca nitidez.
De maneira bem simplificada, o sistema funciona a partir do posicionamento de um conjunto de minúsculas lentes entre a lente principal e o sensor de imagem. De acordo com a Lytro, a tecnologia também permite que as fotografias sejam feitas em condições de pouca luz sem o uso de flash.
“Clique já e focalize depois”, diz o lema da Lytro
Ren Ng, fundador e CEO da Lytro, começou a pesquisar a fotografia de campo luminoso na Universidade Stanford, na Califórnia, nos anos 90. No início, eram necessárias 100 câmeras e um poderoso processador para conseguir esse efeito. Hoje, segundo Ng, um novo tipo de sensor permite fazer isso com uma única câmera, pequena, fácil de usar e, por não ter mecanismo de foco, mais rápida do que as máquinas tradicionais.
O que significa que capturar o momento perfeito, mesmo quando o seu animal de estimação insiste em não parar quieto, está prestes a se tornar uma tarefa fácil.
O resultado das pesquisas impressionou os investidores e a Lytro levantou nos últimos anos 50 milhões de dólares em capital para o projeto, ainda em desenvolvimento. A parte mais difícil tem sido aprimorar um software capaz de processar as imagens. Para coordenar essa tarefa, a empresa recrutou nada menos que o veterano Kurt Akeley, um dos fundadores da Silicon Graphics, empresa americana que, nos anos 80, foi pioneira no desenvolvimento da computação gráfica.
No site da Lytro é possível cadastrar um endereço de e-mail para ser avisado quando a tecnologia estiver disponível no mercado.  A empresa espera comercializar o primeiro modelo da câmera ainda este ano. E, daqui a não muito tempo, usar a tecnologia de campo luminoso em equipamentos de vídeo, médicos e científicos.
Clique em qualquer elemento das fotos abaixo para mudar o foco da imagem e ver como funciona a nova câmera da Lytro:

sábado, junho 19, 2010

SIM... O MUNDO FICOU MAIS CEGO, ONTEM...


José Saramago... escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português, vencedor do Nobel da Literatura em 1998, considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. Entre suas obras podemos citar "Ensaio sobre a cegueira", "Ensaio sobre a lucidez", "O Evangelho segundo Jesus Cristo", "A caverna" e "As intermitências da morte"."Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros."

"Estamos usando nosso cérebro de maneira excessivamente disciplinada, pensando só o que é preciso pensar, o que se nos permite pensar."

"Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida".

"O universo não tem notícia da nossa existência."

"Nem a juventude sabe o que pode, nem a velhice pode o que sabe"

"Ainda que te possa parecer estranha a comparação, os gestos, para mim, são mais do que gestos, são como desenhos feitos pelo corpo de um no corpo de outro."

"Cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança."

"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos, façamos tudo para não viver inteiramente como animais."

"É o que as palavras simples têm de simpático, não sabem enganar."

"Talvez as lágrimas não sejam mais do que isso, o alívio de uma ofensa"

"Com as palavras todo cuidado é pouco, mudam de opinião como as pessoas."

"A propósito, não resistiremos a recordar que a morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem."

"A prudência só serve para adiar o inevitável, mais cedo ou mais tarde acaba por se render."

"Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós."

"O acaso não escolhe, propõe"

"Não creio que haja maior respeito que chorar por alguém que não se conheceu."

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar."

"A lucidez é um luxo que nem todos se podem permitir."

"Não tenhamos pressa. Mas não percamos tempo."

"Se começássemos a dizer claramente que a democracia é uma piada, um engano, uma fachada, uma falácia e uma mentira, talvez pudéssemos nos entender melhor."

"Tudo o que fiz foi com plena consciência de um ser humano que busca relatar sua identidade. Preciso indagar que diabos estou fazendo aqui, na vida, na sociedade e na história."

"Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo."

"A morte conhece tudo a nosso respeito, e talvez por isso seja triste."

José Saramago pelas lentes do fotógrafo Sebastião
Salgado - veja mais fotos. (Foto: Sebastião Salgado). O autor vivia em Lanzarote, no arquipélago espanhol desde 1993 com sua esposa.
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